Arandu – Lendas Amazônicas

Arandu – Lendas Amazônicas” estreia temporada no dia 7 de abril no CCBB Rio de Janeiro, aproveitando o mês que se comemora o Dia do Índio

 

“Todo dia, era dia de índio”, diz a música de Jorge Benjor.  E retomando esta máxima da canção, há cerca de um ano e meio o diretor e autor carioca Adilson Dias vem mergulhando fundo no universo das lendas amazônicas, onde o índio é o personagem principal. Desta pesquisa idealizou o espetáculo “Arandu – Lendas Amazônicas”, que estreia temporada no dia 7 de abril no CCBB Rio de Janeiro, aproveitando o mês que se comemora o Dia do Índio (19). No palco, uma índia vivida pela atriz macapaense Lucia Morais conta histórias da grande floresta em uma viagem imaginária pela nossa ancestralidade indígena. O projeto acontecerá na sala 26, no 4º andar do CCBB, com entrada gratuita e fica em cartaz até o dia 29 de abril.  “Arandu” é apresentado e patrocinado pelo Banco do Brasil. 
 
Durante 40 minutos os espectadores (adultos e crianças a partir dos 10 anos) assistirão a quatro histórias: “Lenda do dia e da noite”, que fala de uma tribo que vivia em agonia por que não havia noite, só havia dia, “Lenda da vitória régia”, a história da guerreira Naiá, “A Lenda da Fruta Amarela”,  que conta a história de um novo fruto que aparece na floresta, e “A lenda do açaí”, sobre a crise de alimentos que assolava uma tribo indígena. A ideia principal é transpor o público, através de um passeio poético, para as lendas amazônicas, a um Brasil ancestral que traz na narrativa oral o veículo de perpetuação da cultura. De acordo com Adilson Dias, o espetáculo é uma contação de histórias com pitada de dramaturgia, bem lúdico e intimista. “Penso em trazer a plateia para viajar no mundo mágico das lendas amazônicas. Eu espero que o público se sinta como se estivesse na beira de um rio ouvindo histórias, do jeito que Lucia me contou que sua avó fazia quando ela era criança”. 
 
“Arandu” é interpretado pela atriz Macapaense Lucia Morais que se inspirou na própria infância ribeirinha no interior de Macapá para compor a personagem - Lucia ouvia histórias contadas por sua avó na beira do rio quando era criança. “Conheci Lucia pelo Facebook, me apaixonei pelo trabalho dela com contação de histórias e a proliferação da leitura. Começamos a conversar sobre levar aquilo para o teatro e assim foi nascendo o espetáculo nas nossas cabeças”, diz Adilson.
 
No dialeto tupi-guarani, Arandu significa um misto de sabedoria e conhecimento. E foi a curiosidade por informações que levou Adilson a pesquisar sobre as lendas que permeiam a região amazônica. Lendo o livro “A Queda do Céu” de Davi Kopenawa e Bruce Albert, descobriu muito mais sobre a cultura indígena para compor o espetáculo. Um outro fato que o fez penetrar, mesmo que inconscientemente, nesta seara foi que sua mãe, já falecida, era uma índia. “Minha mãe era índia, curandeira e não sabia ler e escrever. Uma figura indígena na aparência e nos hábitos, então todos a chamavam de ‘Dona Índia”, conta. 
 
O projeto abre uma reflexão sobre a importância das tradições orais na formação da cultura brasileira. Há milênios os índios contam histórias (lendas) para explicar sua existência no mundo ou para passar conhecimento e informação. Seja utilizando os fenômenos naturais e a própria natureza como exemplo. Com o passar do tempo as lendas tornaram-se folclore, mas ainda revelam-se um amplo universo de pesquisa e contemplação artística. 
 
Este espetáculo marca a volta de Adilson Dias ao CCBB de uma forma positiva, 25 anos depois. Aquele garoto de rua que ficava pelos arredores da Candelária e passava pelo centro cultural para matar a sede, também aproveitava para respirar cultura. Hoje, aos 37 anos, é um artista reconhecido. “Não sei mensurar o quanto sou grato ao CCBB. Tenho uma história com este lugar e, mais que isso, a responsabilidade de saber a importância do mesmo em minha vida e de milhares de pessoas que por ali passaram. De fato, a cultura muda muita coisa. Foi a cultura que mudou a minha vida”, avalia. 
 
Sobre Adilson Dias 
É diretor de teatro e artista plástico. Estudou teatro na CAL (Casa das Artes de Laranjeiras) e lecionou teatro no projeto SESI Cidadania do Sistema Firjan durante cinco anos. Em seu currículo somam-se cinco montagens teatrais e três exposições de artes visuais. Seu espetáculo de maior sucesso foi “Outra Paixão” destaque na mídia internacional.  
 
Dono de uma linda história de superação, o menino que engraxava sapatos na central do Brasil e andava pela Candelária, entrava no Centro Cultural Banco do Brasil para beber água e ficava apreciando as obras de artes, cresceu! Hoje é uma artista. Adilson Dias viveu parte de sua infância nas ruas do centro do Rio de Janeiro, passando por tudo aquilo que vemos pelos jornais: fome, drogas e violência. Mas encontrou na arte um caminho para mudar de vida.  
 
Ficha Técnica:
Direção e roteiro: Adilson Dias
Com Lucia Morais
 
Arandu – Lendas Amazônicas 
Local: Centro Cultural Banco do Brasil – Sala 26
Temporada:  De 7 a 29 e abril  - sábados e domingos
Horários: 16h 
Entrada Gratuita, senhas distribuídas 1 hora antes na bilheteria
Capacidade: 55 lugares
Classificação etária: 10 anos
Duração: 40 minutos 
Endereço: Rua Primeiro de Março, 66 - Centro - / Rio de Janeiro




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