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CRÍTICA | Brimas

Brimas - Ótimo início de temporada teatral carioca

 

“Brimas” dá a 2016 um ótimo início de temporada teatral carioca

 

“Brimas” celebra a amizade que atravessa as diferenças e ajuda o homem a enfrentar o dia a dia. Escrita pelas atrizes Beth Zalcman e Simone Kalil com muita delicadeza, a peça traz as duas interpretando Ester e Marion em ótimos trabalhos de interpretação. Na história, as personagens deixaram o Egito e o Líbano ainda crianças, mantendo no Brasil suas culturas judaica e católica maronita na criação dos filhos e na luta pela sobrevivência. Sob direção de Luiz Antônio Rocha, a montagem está em cartaz no Teatro Cândido Mendes, em Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro.

 

Plateia: parte íntima do contexto narrativo
A história começa com os preparativos de Ester e de Marion para um enterro que vai sair. Sem choradeira, as duas aproveitam o tempo para colocar o papo em dia e para cozinhar para os outros presentes na cerimônia. As fofocas familiares, as esperanças e as decepções se misturam a receitas culinárias e a teses sobre a família, o mundo de hoje e o passado. Ester, casada com o próprio tio, saiu do Egito quando era criança e constituiu família aqui, mantendo a cultura judaica até a velhice. Marion, com uma história parecida, veio do Líbano.
 
No texto, indicado ao Prêmio Shell de dramaturgia, lá pelas tantas, Ester e Marion dão lugar para Beth e para Simone. O discurso pessoal das atrizes invade o das personagens para dar-lhes outro sentido: elas são avós das autoras. Nesse momento, o público fica sabendo de que a peça partiu das lembranças familiares que foram até então restritas aos seus universos privados. Assumindo o tom de confissão, o espetáculo faz com que a plateia se sinta parte íntima do contexto narrativo, o que traz ao todo outro (e melhor) sabor.
 
Ainda que parta de algumas marcas que só ajudam o espectador a se localizar nas culturas de que a peça trata, “Brimas” tem o mérito de chegar rapidamente a outro patamar. A amizade entre Ester e Marion, se não verdade fora da narrativa, parece muito natural na ficção. Mas o melhor é que, ao mesmo tempo que celebra os laços familiares que só as relações de sangue tradicionalmente podem construir, valoriza o companheirismo entre duas pessoas que escolheram estar e se manter juntas através do tempo. Belíssimo!
 
Simone Kalil e Beth Zalcman em ótimos trabalhos de interpretação
Simone Kalil e Beth Zalcman estão em ótimos trabalhos de interpretação. Suas presenças são carismáticas, os sotaques dão outro sentido para suas dicções claras, os corpos estão íntegros. Com marcas de personalidade muito distintas, o encontro entre Ester e Marion tem sua riqueza reveladora da força de “Brimas”.
 
O cenário de Toninho Lobo é composto por malas. De modo sensível, elas anunciam que a peça tratará sobre lembranças, partidas, sobre movimentos através do tempo e no espaço. A luz de Aurélio De Simoni usa bem o palco, ampliando suas possibilidades em ótimo uso de suas potências estéticas. O figurino de Claudia Goldbach colabora com o ritmo na medida em que valoriza o universo particular de cada personagem e prepara o público para a ação que ocorrerá entre elas.
 
“Brimas”, que estreou em dezembro, dá a 2016 um ótimo início da temporada teatral carioca. A ver!
 

Por Rodrigo Monteiro

Peça Brimas / Temporada de Dezembro de 2015

 

* Independente das críticas profissionais, sugerimos que assista aos espetáculos e faça suas próprias críticas.
* Acesse a página do espetáculo e veja também a opinião do público geral nos comentários.

 

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