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Clássico Romeu e Julieta de volta à programação teatral carioca em ótima montagem

 

“um nome para romeu e julieta” é a versão adaptada e dirigida por Dani Lossant para o original de William Shakespeare. A montagem, que tem Andrêas Gatto, Daniel Chagas, Márcio Machado e Morena Cattoni ao lado de Diogo Liberano e de Carolina Ferman nos papéis títulos, tem, entre vários méritos, o de ter um excelente conjunto de atuações. A versão, resumindo o clássico, não se exime de contemplar suas citações mais célebres, privilegiando o ritmo no esforço em manter viva a estória já muito conhecida. A ótima montagem está em cartaz até o dia 31 de julho no Teatro de Arena da CAIXA CULTURAL. Vale a pena revisitar esse que é um dos clássicos mais belos da história.
 
Possíveis inspirações de Shakespeare
Há várias teorias sobre as inspirações de William Shakespeare (1562-1616) para escrever “Romeu e Julieta”. Uma delas, célebre pelas pesquisas de Peter Ackroyd e de Clare Asquith, é histórica. Essa começa com a morte do 2º conde de Southampton (1545-1581), quando seu filho (o 3º conde) Henry Wriothesley (1573-1624) passou a ser favorecido por William Cecil, o Barão Burghley (1520-1598), um dos homens mais poderosos da Inglaterra no período elisabetano. Wriothesley, de quem Shakespeare era amigo a ponto de dedicar-lhe os poemas “Venus e Adonis” e “O estupro de Lucrécia”, era filho de Mary Browne (1552-1607), que por sua vez era filha do Visconde de Montagu (1528-1592). O católico Montagu, leia-se Montéquio, por ter apoiado os governos dos irmãos Edward VI e de Mary I e por ter liderado uma expedição a Roma a fim de reestabelecer o catolicismo na Inglaterra, havia sido banido da corte com a ascensão da irmã protestante Elizabeth I ao trono em 1558.
 
Consta que uma primeira versão de “Romeu e Julieta” se apresentou no segundo casamento do Visconde Montéquio com Magdalena Dacre (1538-1608) em 15 de julho de 1558, quatro meses antes do início do reinado de Elizabeth I. Essa teria sido escrita pelo célebre dramaturgo George Gascoigne (1535-1577) com base em uma novela do italiano Matteo Bandello (1485-1561), publicada em 1554. Bandello teria se baseado em Xenofonte de Éfeso (séc. II e III a. C.), Ovídio (43 a.C–17 d. C.), Dante Alighieri (1265-1321), Masuccio Salernitano (1410-1475) e em Luigi da Porto (1485-1529). Além da versão de Gascoigne, é possível que Shakespeare conhecesse a de Bandello pela tradução desse para o francês por Pierre Boaistuau (1517-1566) (“Histórias trágicas”, de 1559) e para o inglês por Arthur Brooke (? – 1563) (“Tragicall Historye of Romeus and Juliet”, 1562). Vários teóricos comentam que a versão de Shakespeare é, assim, uma homenagem do bardo à família de seu amigo Southampton. (Vale lembrar que “A megera domada” foi inspirada em “The supposes”, de 1566, escrita por Gascoigne.)
 
O conflito entre Wriothesley e Cecil começou, em 1591, quando o primeiro, com dezenove anos, se negou a casar-se com Elizabeth de Vere (1575-1627), com dezesseis, apesar do seu dote de 5 mil libras já pagos. Ela era filha do 17º conde de Oxford e neta por parte de mãe de Cecil. Para piorar, Wriothesley aparece, por volta de 1594, apaixonado por Elizabeth Vernon, dama de honra de Elisabeth I. Ela era prima do 2º conde de Essex, amigo de Southampton e de Shakespeare. Os dois se casaram em 30 de agosto de 1598, 26 dias após a morte de William Cecil, quando Vernon já estava grávida. Elizabeth I, em favor de Burghley e de Oxford, mandou o jovem casal católico para a prisão de Fleet, onde provavelmente nasceu Lady Penelope Wriothesley, em novembro. Depois de sua soltura, Southampton e Essex estavam juntos em uma rebelião contra a já idosa rainha em favor de seu tio Jaime VI da Escócia, esse que viria a se tornar, em 1603, Jaime I, novo rei da Inglaterra.
 
“Romeu e Julieta”, escrito entre 1594 e 1596, faz célebres referências às dificuldades do conde e da condessa de Southampton contra todos aqueles que não queriam a sua união. Na história, o jovem Romeu da casa dos Montéquio se apaixona por Julieta Capuleto, mas as duas famílias são históricas rivais na cidade medieval de Verona, na Itália. Frei Lourenço, confessor de ambos, planejando colaborar com a paz na cidade, os casa em segredo. Logo depois da cerimônia, porém, Romeu se envolve em uma briga e mata Teobaldo, primo de Julieta. (Elizabeth de Vere, que foi rejeitada por Southampton, nasceu no Castelo Theobalds, palácio do século XV que, no reinado de Elizabeth I, passou a ser de William Cecil.) Por isso, ele é banido, partindo para Mântua. Em Verona, os Capuleto decidem pelo casamento de Julieta com o nobre Conde Páris, sem saber que ela já estava casada. Frei Lourenço, para resolver a situação, sugere que, na véspera do casamento, a jovem beba uma poção que lhe dará aparência de morta por 48 horas. E manda um mensageiro a Mântua para explicar tudo a Romeu. Uma peste impede que a verdade chegue ao jovem Montéquio que, desesperado com a notícia da morte de Julieta, compra um veneno e volta para visitar o túmulo de Julieta. Lá ele se mata e, quando Julieta acorda, ao ver o corpo do marido, apunhala-se, morrendo também.
 
A enorme beleza dos versos de Shakespeare fez dessa história uma das mais famosas na cultura ocidental. Mesmo quem já a conhece muito bem se encanta com sua força. As referências históricas que essa análise ofereceu podem deixar tudo ainda mais interessante se se lembrar que Penelope Wriothesley (1598-1667), a primeira filha de Wriothesley e de Vernon, se casou com o 2º Barão Spencer (1591-1636), antepassado da Lady Diana Spencer (1961-1997), a princesa de Gales. Isso faz do atual Príncipe William e de seus filhos os descendentes de Romeu e Julieta.
 
A versão de Dani Lossant
“um nome para romeu e julieta”, de Dani Lossant, resume o original de Shakespeare, reduzindo as falas e concentrando as ações, mas mantendo as marcas mais célebres. Como já feito muitas vezes pelo teatro e pelo cinema anteriormente, essa medida aproxima a narrativa do público contemporâneo também pelo uso de expressões do cotidiano. O título faz referência ao diálogo da cena do balcão, uma das mais famosas da história do teatro ocidental, em que Julieta se pergunta sobre se a rosa teria outro perfume se assim não fosse chamada. Está, nos nomes Montéquio e Capuleto, o ódio entre suas famílias, não nas pessoas.
 
Na direção assistida por Davi Palmeira, o palco em arena abre espaço para as ações, promovendo franco encontro entre os personagens e a nobre responsabilidade da imaginação do público, esse que precisa imaginar os cenários e perceber o jogo de troca de papeis entre os atores. Se, de um lado, o falar permanece empolado em alguns trechos, intenções mais naturalistas podem ser vistas em outros. Essa alternância, garantindo momentos mais cômicos e leves sem abdicar dos mais trágicos e pesados, é um recurso positivo que tem méritos no ótimo uso aqui.
 
O chão onde os atores pisam é preenchido graficamente ao longo da encenação. Utilizando giz de cera, os atores escrevem palavras e trechos de poemas (da poetisa portuguesa Florbela Espanca inclusive), além de estabelecer relações como a direção de determinados lugares e o local de outros. Tudo isso, corroborando com a reflexão proposta pelo título, oferece leituras sobre a importância das palavras, sua durabilidade e sobre a importância da linguagem na construção das identidades e das vidas.
 
Os figurinos de Luci Vilanova, em mais uma de tantas explorações de gravatas que inundam o teatro carioca, faz sutis alusões às célebres oposições em azul e vermelho para os Montéquio e Capuleto sem muita criatividade. Por outro lado, a trilha sonora original de Luciano Corrêa e principalmente a iluminação de Daniela Sanchez fazem excelentes contribuições, potencializando de modo inteligente e belo o panorama geral.
 
Ótimo conjunto de atuações
O melhor de “um nome para romeu e julieta” é a qualidade dos trabalhos de interpretação. Andrêas Gatto, Daniel Chagas, Márcio Machado e Morena Cattoni se alternam em vários personagens, mantendo a força em seus diálogos e consequentemente das cenas. Diogo Liberano e Carolina Ferman, que interpretam os protagonistas, permitem-se, através de suas construções, deixarem-se levar pelo aspecto trágico que faz com que toda a vida de Romeu e Julieta se modifique em alguns dias. Suscetíveis ao sentimento que os configura nessa narrativa ficcional, eles se entregam ao destino, seja esse inicialmente bom ou depois ruim. E seus intérpretes oferecem ao espectador meios de compreender isso, se emocionar com eles e de experimentar a linda poesia dessa trajetória. Excelente!
 

 

Vale a pena ver o espetáculo!

 

Por Rodrigo Monteiro 

Peça Um Nome para Romeu e Julieta

 

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