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"Tim Maia-Vale Tudo, o Musical" retorna ao Rio

Fenômeno da temporada teatral carioca, “Tim Maia – Vale Tudo, o Musical” reestreia dia 23 de Novembro , no Theatro NET Rio

 

Tim Maia completaria 70 anos em 2012, mas permanece mais vivo do que nunca. A maior prova é o sucesso colossal do musical ‘Tim Maia – Vale Tudo, o musical’, que se tornou o maior fenômeno do teatro brasileiro de 2011 e permanece lotando teatros por todo o país. Após uma temporada vitoriosa em São Paulo e uma turnê nacional com casas sempre lotadas, o espetáculo – que tem texto de Nelson Motta e direção de João Fonseca -, retorna ao lugar onde tudo começou, o Rio de Janeiro, com reestreia marcada para o dia 23 de novembro, no Theatro Net Rio.

 

E o Rio terá a oportunidade de se reencontrar com o Tim Maiade Tiago Abravanel e ainda conhecer um novo Tim Maia, Danilo de Moura. Os dois atores se revezarão no papel título, pois Tiago está gravando ‘Salve Jorge’, não sendo possível determinar com antecedência em quais dias cada ator subirá ao palco, pois a produção dependerá do cronograma de gravações da novela.

 

O espetáculo venceu três Prêmios Qualidade Brasil 2012: Melhor musical, melhor direção e melhor ator, Tiago Abravanel, a grande revelação de 2011, vencedor também do Prêmio Faz Diferença, do Jornal O Globo, na categoria Teatro, além de estar indicado ao Prêmio Quem de Teatro. Com sete musicais no currículo, Tiago teve a responsabilidade de trazer à cena toda a complexidade de Tim Maia, mas os unânimes elogios não deixam dúvidas de que ele superou todas as expectativas. Já Danilo de Moura estreou na temporada de São Paulo, com grande sucesso. Com vários musicais no currículo, como ‘Aida’, ‘Hairspray’ ‘Huck Finn’ e ‘Alladin’, Danilo vem emocionando o público com sua interpretação vigorosa e uma performance vocal arrebatadora.

 

Isabella Bicalho, Lilian Valeska, Pedro Lima, Andreh Vieri, Bernardo La Roque, Reiner Tenente, Evelyn Castro, Pablo Ascoli, Aline Wirleye Leticia Pedroza completam a escalação. “Para os demais papéis, chamei atores que conhecia ou com quem já tinha trabalhado. Nem foram necessárias aulas de cantos, todos já vieram totalmente preparados”, explica João Fonseca. Cada um deles interpreta de três a sete personagens, desde os pais de Tim Maia e figuras célebres como Roberto e Erasmo Carlos, Elis Regina, Jorge Benjor, Carlos Imperial, Chico Buarque e o próprio Nelson Motta, até presenças pontuais como os irmãos, músicos, amigos, entre outros.

 

A amizade com Tim, conta Nelson Motta, começou em 1969, quando produziu para o disco de Elis Regina o dueto que apresentou ao mundo o vozeirão do cantor, ‘These are the songs’. Por isso, é testemunha de histórias incríveis, como as aventuras vividas nos Estados Unidos, no início da carreira, graças a um improvável convite da Arquidiocese. A viagem não terminou bem: Tim voltou ao Brasil deportado, acusado de roubar um carro e de portar substâncias ilegais.

 

Do livro para o palco, o processo de transposição do texto foi todo muito orgânico e em parceria: “Fui amigo do Tim a vida inteira, sabia tudo dele. Então foi fácil e muito prazeroso escrever, porque o João Fonseca me ajudou muito com a sua visão teatral, cênica de espetáculo. Sou de uma escola jornalística, narrativa, linear, e ele me estimulou a criar cenas livremente”. Esta foi a segunda experiência de Nelson com teatro. A anterior havia sido ‘A Feiticeira’ (de 76), em parceria com Fauzi Arap e protagonizado por Marília Pêra. “É muito difícil”, dá a pista sobre os motivos da bissexta volta à dramaturgia teatral e emenda: “Além desse auxílio luxuoso - e decisivo - do João, também é uma obra em progresso, que vai sendo adaptada e ajustada durante os ensaios, de acordo com as possibilidades que se abrem. Para mim é tudo novidade. E estou tomando gosto!”.

 

O diretor João Fonseca optou por estruturar a narrativa em blocos temáticos, que são ilustrados por clássicos de Tim que remetem conceitualmente a cada passagem. A cena se desdobra a partir da infância pobre no bairro carioca da Tijuca, o contato com a música e as primeiras bandas que integrou, como ‘Tijucanos do Ritmo’, ‘The Sputniks’ e ‘The Snackes’, quando conheceu Roberto Carlos, Jorge Benjor e Erasmo Carlos. Momentos como a partida para os Estados Unidos, em 1959, e a posterior deportação por roubo e porte de drogas; a eclosão da Jovem Guarda e a gravação do primeiro disco; a primeira grande paixão, Janete, e as discussões explosivas travadas entre o Rio e Londres em diversas idas e vindas; o período em que aderiu à ideologia ‘Racional Superior’; a explosão popular; os filhos; a formação da banda Vitória Régia...todos os acontecimentos são permeados por episódios memoráveis (e na maioria das vezes hilários) radiografados com precisão de detalhes por Nelson Motta.

 

Fiel à construção narrativa concebida por Nelson e João, o cenógrafo Nello Marrese projetou a área cênica como um palco de show com paredes e objetos de estúdio, os dois lugares onde Tim Maia se sentia mais à vontade. A partir disso, há 14 trocas de cenário através de adereços e elementos alegóricos. “As mudanças ocorrem a cada bloco temático. Por exemplo, a infância é representada por um imenso varal de roupas e objetos de praia; a primeira banda dele, por semáforos; já na fase ‘racional’, o palco fica todo branco; no final, usamos um telão de led”, explica Nello.

 

Reproduzir a estética sonora da Vitória Régia, banda formada por Tim em 1976 e que o acompanhou por 22 anos, foi a escolha do diretor musical e arranjador Alexandre Elias: “A Vitória Régia teve várias formações ao longo dos anos, com 8, 9 ou 10 músicos, de acordo com as escolhas do Tim em cada momento”. Conversando com amigos que tocavam na banda, Alexandre chegou à formação mais constante, com três sopros, teclado, guitarra, baixo e bateria. Mesmo tendo mudado a sonoridade ao longo da carreira, o que se ouvirá no espetáculo é o Tim Maia da black music: “ O Tim foi o precursor da soul music no país, voltou dos EUA muito influenciado pelo som da Motown e criou por aqui aquilo que se chama de ‘música preta brasileira’. Optamos por ressaltar as variações do Tim Maia como cantor e compositor ao longo da carreira através da sonoridade mais característica dele, totalmente black music, de canções antológicas como ‘Azul da Cor do Mar’, entre tantas outras”, contextualiza Alexandre.

 

E assim, uma das trajetórias mais impressionantes da música brasileira é narrada pela primeira vez nos palcos. Sebastião Rodrigues Maia, Tião Marmiteiro, Tim Maia, uma profusão de personagens diversos dentro de um só, aquele responsável pela trilha sonora das vidas de uma legião de fãs até hoje. Ou como muito oportunamente concluiu Nelson Motta após encontrá-lo em Nova Iorque pela última vez, em 97, “Estava muito feliz de reencontrá-lo tão alegre e bem-disposto, achei até que estava um pouco mais magro - embora ainda imenso (...). Só consegui sair de lá horas depois de muita conversa e gargalhadas, entre várias rodadas de café completo, ovos mexidos e incessante carburação, me divertindo com as histórias que qualquer ficcionista consideraria inverossímeis, mas eram apenas fatos e acontecimentos corriqueiros do cotidiano de Tim Maia". 

 

 




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